segunda-feira, 27 de junho de 2011

"Esquecer Damen era uma missão"

Esquecer Damen era uma missão que eu tinha de cumprir. Pelo menos naquela época era o que eu pensava...

Hospedei-me em um hotel já bem conhecido de minha família, e foi por lá que passei três meses inteiros sem nenhuma ligação com minha cidade, tirando as cartas que eu mandava e recebia de vez em quando de minha mãe, Nona e Tay. Jean havia sido convocado pelas forças armadas no primeiro mês, assim como Johnny.

Eram 15:45 quando eu saí do hotel e fui para um parque não muito longe dali, onde havia um lago imenso, e em sua volta muitas e muitas árvores, além de animais e flores das mais diversas. Todos os dias pela tarde eu vinha até esse parque junto de meu diário, e então sentava-me entre as raízes de uma árvore, a mesma árvore todas as vezes, e então passava o resto da tarde escrevendo sobre como está sendo esse tempo longe de tudo, e nos últimos dias, venho escrevendo uma música, e escrevi também uma carta. Para ele. Uma carta que pretendo nunca entregar. Uma carta que ele nunca lerá.

“Caro Damen, receio informar-te que roubou algo que me pertence. Algo que sempre me pertenceu, e homem nenhum jamais o obteve. Meu coração. É, você o roubou. Não sei se já percebestes isso... Espero que não, pois o teu coração já foi roubado por alguém. Alguém que não sou eu. E é este o motivo de todas as minhas lágrimas, de todas as minhas dores e angústias. Mas, por favor, não se culpe por nada, isso tudo foi culpa minha. Pura tolice. Pura ingenuidade. Eu fui completamente, totalmente, e absolutamente ingênua e tola. Ingênua por não ver. Ingênua por não perceber, que mais cedo ou mais tarde, eu me encantaria por você. Tola por não entender. Não entender que você não é para mim, assim como eu não sou para você. Somente peço desculpas por qualquer transtorno que posso ter causado em sua vida, e que eu prometo, nunca mais irei perturbá-lo. Antes que eu me esqueça, uma última coisa... Eu te amo. E é por isso que digo: adeus. Com amor, Scarlett.”

Scarlett Delmondes Sparks

Adeus

Eu ainda posso sentir o gosto doce de seus lábios nos meus, e o formigamento na pele toda vez que ele me tocava. Eu ainda me lembro do nosso último beijo, e recuso-me a deixá-lo partir de minha memória.

– Sem discussões mamãe, por favor, eu quero ir agora para a capital.
– Mas suas passagens são apenas para daqui uma semana.
– Eu compro novas passagens na estação, eu apenas preciso sair daqui! Mamãe, por favor, entenda que eu apenas preciso ir embora. – implorei à ela com os olhos cheios d’água.
– Bom, se é o que desejas... Então vamos até a estação, vá despedir-se.

Alguns minutos atrás...

Lembrando-me da situação em que Damen se encontrava, empurrei-o o mais forte que consegui.
– Ah meu Deus! O que... Isso não podia ter acontecido, não podia, não podia!
– S-Scarlett... Me desculpe, por favor, eu não...
– Adeus, Damen. – corri até Tex e o montei, saindo em disparada, conseguindo apenas ouvir um grito de “espere”.

Agora...

Despedi-me de Nona e Taylor. Eu, Jean e minha mãe partimos até a cidade, e logo chegamos. Jean comprou as passagens enquanto eu me despedia de minha mãe. O trem logo passaria na estação.
– Aqui estão as passagens Scar. Tome cuidado, hein irmãzinha! – abraçou-me forte.
– Vou tomar. Sentirei saudades Jean... E você também se cuide, viu?
– Mas é claro irmã. Você vai fazer falta, sua pentelha.
Esperamos por alguns poucos minutos e o trem chegou. Embarquei.
Agora, a única coisa que tenho a dizer, é adeus Damen. Até nunca mais. Eu espero.

Scarlett Delmondes Sparks

"Eu o amava, sem mais"

Eu sempre pude contar com o apoio de Jean, sempre. Ele foi um dos meus motivos para lutar por este amor, e sempre agradeci à ele e à todos que me ajudaram a correr atrás do que eu sempre quis.

Algumas horas depois do almoço, decidi cavalgar um pouco com Tex, preparei-o e montei.

Segui pelos campos próximos ao sítio, até encontrarmos uma clareira. Os raios de sol reluziam em cada pétala de flor, todas amarelas e brancas. Era lindo. Desci de Tex e comecei a andar por entre as tantas flores, sentindo o vento bater em meu rosto e fazer meus cabelos voarem, trazendo à mim o perfume das mais diversas flores. Abri os braços, deixando o vento bater contra meu corpo, dando-me a incrível sensação de poder voar.

– Esta sensação é incrível, não é mesmo? – sussurrou em meu ouvido uma voz doce, pondo as duas mãos em minha cintura. No mesmo instante, recolhi meus braços e me afastei de seu corpo, virando-me de frente para ele. – Calma Scarlett, sou eu, Damen.
– E é exatamente por isso que você não devia fazer isto, e muito menos estar aqui. Eu não devia estar aqui. Vou voltar para o sítio, com licença. – apressei-me até Tex, mas Damen segurou-me pelo braço, e sorrindo com os olhos disse:
– Fique. Por favor. – sorriu gentilmente.
– Eu já vi essa cena antes.
Damen riu baixo, soltando meu braço. – Desculpe. Mas, por favor, não vá. Eu não quero que você vá.
– Tudo bem, mas apenas até o pôr-do-sol. – sorriu triunfante.

Nos sentamos no meio das flores e conversamos, até o céu passar de azul para laranja.
– Acho que eu tenho que ir.
– Mas... Bom, foi o combinado... Eu apenas... Queria poder congelar o tempo, e nunca mais ter de sair desse lugar... Nunca mais ter de sair do teu lado. – olhava-me com aquele olhar caloroso e intenso.
– O que você está olhando?
– Os seus olhos... E o quão lindos e encantadores são. Sabe, dizem que os olhos são a chave para a alma, e que um olhar pode falar mais do que mil palavras
– E o que o meu diz?
– Que eu devo fazer isto. – calmamente seu rosto aproximava-se do meu, fazendo meu coração acelerar cada centímetro mais próximo, meu corpo não reagia aos comandos de meu cérebro, ele apenas ficava parado, ouvindo meu coração, e esperando ele agir. Seus lábios macios tocaram os meus, fazendo-me voar por entre as mais altas nuvens. Sua mão pousara em meu rosto. Neste momento nada importava, éramos apenas eu e ele.
Eu o amava, sem mais.

Scarlett Delmondes Sparks

Entre irmãos

Meu coração disparava toda vez que ele se aproximava, e quando ele abria aquele sorriso que tanto me encantava, era como se o mundo não existisse mais e nada mais importasse, porque realmente não importava.

– Você estava certa filha, Damen é realmente muito agradável.
– Mãe!
– O que é? Ele é realmente agradável, não é mesmo?
– Agradeço pelo elogio Sra. Sparks. – sorriu.
– Acho que já é minha hora, com a sua licença. – disse levantando-me.
– Espere Scarlett! – virei-me para olhá-lo. – Hãm... Boa noite, durma bem. – sorriu de canto.
– Obrigada... Damen. Com licença. – fui para o meu quarto.

Sem demoras escovei meus dentes, coloquei um pijama qualquer e deitei-me, pronta para dormir, mas quem disse que eu consegui? Passei a noite acordada, virando de um lado para o outro na cama, sem conseguir dormir por um minuto sequer. A cada dia que passava, era mais difícil tentar esquecê-lo... Como eu faço para parar isso? Como fazer para não pensar mais nele? Existe algum modo? Espero que um tempo longe daqui seja uma saída para tudo isso.

– Scar? – sussurrou, abrindo a porta. – Está acordada? Posso entrar?

Sentei-me na cama, fazendo que sim com a cabeça.
– Por que você está acordado?
– Eu ia perguntar o mesmo. – sentou-se na beirada da cama. – Só... Não consigo dormir...
– E posso saber o por quê?
– Preocupação. Com você. – fiz uma expressão de dúvida. – Por que essa vontade repentina de ir até a capital?
– Jean... Você não entenderia... – abaixei a cabeça.
– É claro que vou entender Scar, você é minha irmãzinha... Por que você quer ir à capital?
– Por que... Por que... Porque estou apaixonada por alguém que já tem outra.
– Damen?
– O jeito que ele me trata... Não ajuda em nada, sabe.
– Ele apenas a trata com o devido respeito, como a dama que és tu. Apenas lembre-se de uma coisa Scar, nunca deixes que este sentimento a impeça de sorrir. Nunca. Nem mesmo Damen viveria sem teu belo sorriso.

Como podes ter tanta certeza irmão?

Scarlett Delmondes Sparks