segunda-feira, 27 de junho de 2011

Jantar italiano

“Duas semanas. Era o tempo necessário de evitar a cidade. Eu conseguiria.” Era o que eu pensava todos os dias, mas não seria assim tão fácil.

Já se passou uma semana e eu não havia nem chegado perto da cidade, muito menos daquela casa aonde Damen havia me levado. Mas esse pequeno tempo de distância não diminuiu nem um pouco os meus pensamentos sobre ele. Infelizmente.

– Figlia mia! Ma cosa stai facendo? E 'tutto sbagliato! Tutto qui. (Filha minha! Mas o que está fazendo? Está tudo errado! É assim) – disse Nona.
– Mamma, smettila di parlare in italiano, per favore? (Mamãe, pare de falar em italiano, por favor?)
– No! Stiamo facendo gli spaghetti, così la notte sarà italiano ora! (Não! Estamos fazendo espaguete, portanto a noite hoje será italiana!)
– Ma la mamma, i bambini non capiscono quello che diciamo. (Mas mãe, as crianças não entendem o que falamos.)
– Ma, naturalmente, si capisce! Nemmeno il mio amore? (Mas é claro que entendem! Não é mesmo, meu amor?) – olhou para Jean.
– Certo nonna!
– Dio mio. Jean, sì, ma Taylor e Scarlett non ha capito. (Meu Deus. Jean sim, mas Taylor e Scarlett não entendem.)
– Che cosa ha detto la mamma? (O que a mamãe disse?)
– Che io non capisco, nonna. (Que eu não entendo, Nona.)
– Anche a me. (Eu também.)
– Bene, allora la notte sarà italiano! (Pois bem, então a noite será italiana!)

Bem o que estais pensando, minha família, por conta de Nona, fala italiano fluentemente, e sempre que fazemos alguma massa, a Nona tem esses surtos italianescos, é engraçado, eu amo. Aí você me pergunta, sim, e o que isso tem haver com Damen? TUDO! Como Jean é um ótimo irmão e amigo, convidou Johnny e Damen para jantar conosco, já que os irmãos também falavam italiano fluentemente. Ai Deus, minha dura semana sem ir à cidade foi por água abaixo quando aquele garoto pôs o primeiro pé dentro de casa.
– Ma que sorpresa! – diminuiu Nona o italiano. – Che tão facendo qui?
– Ma il tuo nipote Jean invitato me e mio fratello Damen a provare la sua famosi spaghetti! Avete un problema? Se avete qualsiasi problema, immediatamente me e mio fratello- (Mas teu neto Jean convidou a mim e a meu irmão Damen para experimentar a sua famosa espaguete! Tem algum problema? Se tiver algum problema, de imediato eu e meu irmão-)
– No, nessun problema, non preoccuparti! (Não, nenhum problema, não se preocupe!) – intrometeu-se minha mãe. – Suo fratello parla italiano? (Seu irmão fala italiano?) – minha mãe e Johnny foram em direção à mesa de jantar.
– Ah si, si, sia fluente. (Ah sim, sim, ambos fluentemente)
– Come stai, bella Scarlett? – Damen estendeu sua mão, pus a minha sobre a dele e ele a beijou.
– Sto bene, grazie Damen.

Scarlett Delmondes Sparks



(não, eu não falo italiano, traduzi tudo pelo Google mesmo! haha. Então se tem alguém aí que fala italiano e tem alguma coisa errada, desculpa, e se quiser avisar o que é também, pode avisar)

Viagem

Eu pensava nele, eu pensava nele há todo instante. Seus olhos verdes escuros apareciam para mim toda vez que eu fechava os meus olhos. Eu não sabia mais o que fazer, minha pele sentia falta do seu toque, e meus olhos dos seus, e meus ouvidos de sua voz levemente roca. O que eu poderia fazer? Nada, simplesmente nada.

– Você está bem, querida? – perguntou Nona, enquanto eu me sentava no chão, ao lado de sua cadeira de balanço. – O que aconteceu minha flor? É aquele rapaz? O... Damen? – assenti, olhando para o céu alaranjado.
Nona suspirou, olhando para um casal de passarinhos que pousara no chão há poucos metros de nós.
– Sabe minha flor... Não é sempre que nos encontramos com-
– Nona, por favor, não-
– Não vou dizer que ele é o seu amor verdadeiro como sua mãe, até porque vocês mal se conhecem... Mas olhe querida, rapazes como ele não se encontram muitas vezes na vida, e se ele é ou não seu amor verdadeiro, só quem pode dizer é você mesma, ninguém mais meu amor.
– Mas Nona... Não é esse o problema...
– Qual é então? – a olhei com os olhos marejados, prontos a derramar um oceano de lágrimas. – Ah, não... Não me diga que... Ele é comprometido? – assenti, deixando uma pequena lágrima escapar. – Ah meu Deus, venha aqui minha querida.
Nona levantou-se e se sentou ao meu lado, batendo sobre as pernas, um sinal para que deitasse em seu colo e chorasse o quanto quisesse. Minha Nona era sempre meu refúgio quando minha mãe não me entendia, desde pequena nós fazemos isso, e assim ficamos por horas.
– O que eu faço, Nona?
– Não há o que fazer minha querida... Nessas ocasiões, apenas o tempo pode curar teu partido coração, e mais além, muito amor. Especialmente de tua Noninha. – beijou-me a testa, acariciando meus cabelos.
– Não quero esperar o tempo passar. Minha vontade é de fugir e não vê-lo nunca mais.
– Óh minha querida, não vê-lo nunca mais eu não posso garantir, mas se você quiser, posso ajudá-la a convencer tua mama de deixá-la passar uns tempos na capital. – olhei em seus olhos, esperançosa. – Se isso deixá-la mais feliz, por que não? Afinal, é só por um tempo, não creio que vás morrer, certo?
– Muito obrigada, Nona! – beijei-lhe o rosto, felicíssima. – Eu te amo muitíssimo, obrigada mesmo!

Estava decidido, em duas semanas eu viajaria para capital por uns tempos. Agora era apenas evitar a cidade, não seria tão difícil. Seria?

Scarlett Delmondes Sparks

Héroi2

De todas as pessoas que eu esperava encontrar sentado ao meu lado ao acordar, ele era o último delas. Quer dizer... Por que justo ele? Por que não Jean ou Taylor? Justo ele? Na hora eu não havia compreendido, quer dizer... Seria mais uma armadilha do destino?

Depois de algum tempo deitada e conversando com a pessoa que salvara minha vida, ele finalmente deixou que eu me levantasse.
– Não entendendo por que tamanha preocupação com uma estranha. – meu braço direito estava sobre seu ombro, o usando de apoio e seu braço esquerdo segurava minha cintura, eu seguia mancando.
– Ora, que tipo de pessoa você acha que eu sou?
– Desculpe, eu só... – olhou-me, dizendo para continuar. – Nada.
– Scarlett, conheça meu cavalo, Kerle.
– É lindo.
– Obrigado, disse ele. – eu ri. – Venha, eu te ajudo. – levantou-me e colocou-me sobre Kerle.
Quando chegamos ao sítio, começaram os alardes desnecessários vindo de todos, inclusive minha mãe, somente minha querida Nona compreendeu-me, apesar de ter achado exagero de minha parte.
– Óh céus, muito obrigada Damen! Sem você não sei o que aconteceria com minha Scarlett! Muito obrigada mesmo, você é um bom rapaz!
– Já chega, mamãe. Obrigada Damen. – sorri. – Agora se me dão licença, gostaria de descansar. – Damen levantou-se e beijou minha mão.
– Descanse bem, Scarlett. Que os anjos a protejam. – seus olhos brilhavam como duas estrelas.
– Obrigada, igualmente. – entrei em meu quarto.

Certo, agora é oficial. Estou extremamente encantada por Damen, quer dizer... ele foi tão cuidadoso e preocupado comigo que... meu Deus, do que você está falando Scarlett? Deixe disso sua louca! Você não pode estar se apaixonando por ele, você não pode! Certo, deixe de tolice... ele é um encanto, apesar de seus olhos frios da primeira vez... Agora que os vejo realmente, são tão calorosos... tão... lindos e hipnotizantes... Ele é encantador, isso eu não posso negar, mas... ele é comprometido, eu tenho de pôr isso na cabeça e aceitar de qualquer maneira, ele tem outra, apesar de não parecer muito animado com essa história, ele tem outra e ponto. Você vai tirá-lo da cabeça Scarlett, você não vai mais pensar nele e muito menos vê-lo. Estou determinada, agora é uma missão que eu tenho de cumprir. Nada de Damen, nunca mais.

Scarlett Delmondes Sparks

Herói

Já estava feito, eu me encantei com tal rapaz que antes julgava ser mais um idiota entre os milhões, mas o que eu não sabia, era que ele não era quem aparentava ser, e que ele mudaria minha vida muito mais do que eu poderia imaginar. Muito mais.

No caminho de volta para o sítio, Jean perguntou-me:
– O que achou de Damen, Scar?
– Ele é... Agradável.
– Agradável? Só isso?
– Aonde quer chegar, Jean? – deu de ombros e continuou à guiar Thorn, seu cavalo. Eu montava Champs (pronuncia-se Tchamps), o cavalo de Taylor.
– Voltamos!
– Como foi na cidade, Scar? Achou algo em especial? – referiu-se à Damen.
– Foi agradável mamãe.
– Ela disse o mesmo sobre Damen. – intrometeu-se Jean, sorrindo.
– Que é isso agora? Uma conspiração contra mim? Ah, poupe-me! – saí às pressas da casa e fui até o celeiro.
– Já voltou Scar?
– Sim, e não precisa mais escovar Tex, vou cavalgar um pouco. – disse montando-o e saindo em disparada do celeiro.
– Você não colocou a sela, Scar! Volte! – gritou enquanto nos afastávamos.

Guiei-o até um riacho um pouco afastado do sítio. Tirei meus sapatos e sentei-me à beira d’água que corria.
– Por que eles tem que fazer isso comigo, Tex? Eu sei que posso ter exagerado, mas... Não posso nem conhecer um rapaz agradável que já se torna o assunto da casa? Mas que coisa. – peguei uma pedra e a arremessei longe.
Depois de um tempo levantei-me, retirei a sujeira de meu vestido e montei em Tex. Seguimos calmamente pela estrada, até eu avistar uma cobra rastejando próxima à estrada, e no mesmo instante Tex ficou sobre as duas patas traseiras e relinchou desesperado, correndo o mais rápido que podia, assustado. Mais uma cobra havia aparecido, fazendo Tex ficar sobre as duas patas novamente, mas de tão repentino, não tive onde me segurar e acabei caindo no chão com violência, batendo a cabeça em alguma pedra e perdendo a consciência.
– SCARLETT! – pude ouvir alguém gritando, mas não reconheci sua voz de imediato. – Ei, Scarlett! Acorde! Scarlett, você está me ouvindo? Vamos, não faça isso comigo, me responda! Droga. – depois disso não ouvi mais nada, o mundo escureceu e todas as vozes se calaram.
– Ai. – gemi de dor, tendo dificuldades para abrir os olhos. Tentei levantar-me, sem sucesso.
– Ei ei, calma aí. – segurou-me, impedindo que eu caísse. – Você tem que descansar, foi uma queda feia.
– Minha cabeça dói... – murmurei.
– Estaria surpreso se fosse o contrário, ela sangrou demais. Você bateu a cabeça em uma pedra, lembra-se?
– Tex! – levantei em um pulo, seguido de muita dor na cabeça e no tornozelo.
– Calma Scarlett! Você também torceu o tornozelo nessa aventura, tem que descansar. O... Tex não é mesmo? – assenti. – Deve ter voltado para o sítio.
– Onde eu estou? Não me lembro de ter andado alguma coisa.
– É porque não andou, eu te carreguei até aqui. É, digamos assim... O meu refúgio para o mundo bizarro lá fora.
– Não acredito que te fiz me carregar até aqui.
– Não se preocupe, não foi culpa sua. E eu não podia deixá-la lá, presa fácil para as cascavéis que espantaram Tex.
– Obrigada, você salvou a minha vida.
– Não precisa agradecer. – sorriu e olhou-me como uma criança olha para um doce que tanto almeja.

Scarlett Delmondes Sparks

Uma ida à cidade

Depois do primeiro encontro visual e da primeira noite de muitas que não tirei seu olhar frio da cabeça, eu achei que pararia por aí, mas pelo visto, as coisas somente tendiam a piorar... E muito.

Após o café-da-manhã, Jean contou todas as aventuras da guerra, e minha mãe, Cameron, como sempre ficou incrédula com tudo o que ele passou.

– Ah, vocês por acaso viram na estação o irmão de um de meus colegas? Alto, cabelos castanhos escuros, olhos verdes escuros.
– Ah, sim! Sua irmã o viu, não é mesmo Scarlett?
– Você o viu Scar? É que ele não estava o encontrando...
– Ah, vi sim, ele estava do outro lado da estação, sentado. – Jean murmurou algo sobre Jonny, que seria irmão do rapaz da estação, e disse-me seu nome. Damen.
– Netinho querido, sua Nona está precisando de algumas coisas para o jantar de hoje, será que poderia ir até a cidade comprar para mim, por favor?
– Mas é claro minha Nona. Você vem Scar? Tay?
– Não! – exaltei-me por um instante. – Quer dizer... Tenho que escovar o Tex, e...
– Deixe disso Scarlett! Vá com o seu irmão. – depois de uma breve discussão, fui para a cidade e Taylor ficou para escovar Tex, meu cavalo.

– Não entendi por que não queria vir até a cidade Scar, aconteceu alguma coisa? – dei de ombros. – Ei, olhe ali! – apontou para dois rapazes em frente à livraria. – São Johnny e Damen, vamos até lá.
– Não acho uma boa ideia, Jean. Temos que levar as coisas para a Nona.
– Vai ser rápido. Hey, Johnny!
– Jean! Como está? Não te vejo desde que perdi meu irmão. – ambos riram. – Aliás, este é Damen, meu irmão mais novo.
– Esta é minha irmã mais nova Scarlett.
– Venha Jean, quero mostrar-lhe algo que encontrei. – Johnny e Jean seguiram para a livraria.
– Vou acompanhar meu irmão, com a sua licença. – Damen segurou-me pelo braço e sorrindo com os olhos disse:
– Fique. Por favor. – sorriu gentilmente. – Peço desculpas, não me apresentei devidamente, sou Damen Lacourst. – beijou minha mão.
– Scarlett Delmondes. – sorri.
Depois de trocar poucas palavras com Damen, percebi que ele não era o rapaz que eu julgava ser, seu olhar estava diferente, estava caloroso. Desta vez sim, eu estava encantada.

Scarlett Delmondes Sparks

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Desculpem a ausência, prometo que ainda esta semana voltarei para explicar-lhes o que houve.

- Dreams